Ela era uma rapariga normal, bela e inteligente e ele, um rapaz simples, inteligente e sempre atento às tendências da moda, partilhavam ambos o mesmo problema: não conseguiam arranjar ninguém que os amasse.
Nunca se tinham cruzado antes na vida (ela era do Norte e ele do Sul). Nunca se tinham visto nem sequer trocado um simples "Olá. Tudo bem?" até aquele dia...
Por obra e ironia do destino, estes dois seres encontraram-se num único sitio que os obrigava a ter uma vida dupla entre o trabalho (para pagarem o quarto e a alimentação) e a universidade.
Quis o destino que eles fossem ambos da mesma turma. E passaram-se quatro longos anos (sim! Porque estudar e trabalhar não é fácil) e a relação deles nunca passava da mesma: relação simples entre colegas da mesma turma.
Apesar de ambos nunca se aproximarem, eles nutriam um sentimento mutuo especial: gostavam ambos um do outro. Mas não sabiam que esse sentimento era recíproco. Ela tinha medo de se aproximar dele porque os últimos namoros não lhe tinham corrido bem; Ele, também tinha medo de se aproximar porque só tivera um relacionamento e, esse relacionamento, tinha sido um desastre.
Ambos formaram-se e um ano mais tarde (já com trabalho definitivo e a vida mais ou menos estabilizada) voltaram a encontrar-se num jantar de turma.
Não se sabe se foi do vinho que beberam ou do ambiente do restaurante mas a verdade é que ambos decidiram ganhar coragem e confessar o seu amor (que ainda não tinha sido esquecido nem apagado).
Avançaram ambos na direcção um do outro e atropelaram-se com o habitual: "Tenho uma coisa para te dizer!". Ele, gentilmente, disse-lhe para ela começar.
Ela confessou. Ele confessou que também sentia o mesmo. Deram um beijo e ficaram a olhar um para o outro durante uns largos segundos.