18:12, o comboio com destino a Alverca chega. A 1ª carruagem encontrava-se totalmente vazia.
Escolhi um lugar junto à janela. Olhei pela janela, o comboio ia ganhando velocidade e apenas começava a ver pequenos pontos de luz. Rapidamente, a minha mente abandonou o estado de letargia e ficou tomada pelos meus pensamentos. Pensamentos esses que ocupam muito espaço dentro de mim e impedem que eu faça as coisas como eu quero.
Um dia, pensei, gostaria de deitar tudo "cá para fora" mas muitas vezes, as minhas palavras são interpretadas de maneira errada, ou então, algumas cabeças imaginam coisas que não deveriam imaginar.
Há muito que preciso de uma pequena pausa. Há um turbilhão de coisas que se cruzam nos meus (poucos) problemas.
Mas mesmo com esses problemas e pensamentos negativos, existem algumas coisas que me impedem de desistir, que impedem que me vá abaixo.
Do nada, o meu mp3 reproduz uma música. Lembrei-me de ti. Cantá-mo-la no teu casamento. E lembrei-me do que me disseste:
"Nunca desistas de nada. Deves seguir sempre os teus sonhos. Acredita em ti"
Sim, não irei desistir.
Durante todo este tempo, que pareceu bastante rápido, não ouvia a habitual voz da senhora da CP. Mas sabia as estações por onde passava. Tirei um fone do ouvido, e vi a estação de Braço de Prata a desaparecer. Uns minutinhos depois oiço a tal voz a anunciar que a próxima paragem era Oriente. Levanto-me.
18:52,
Ao sair, esqueci-me da habitual e anormal altura entre o degrau do comboio e a plataforma da estação. Praguejando mentalmente, voltei a colocar o fone e segui o meu caminho.
As minhas pernas, que já sabem bem o caminho, guiaram-me enquanto eu voltava a entrar noutro planeta...
Caramba...porque sofro eu com os meus problemas e com as coisas que as outras pessoas falam ou pensam?
Eu procuro uma vida fiel, justa aos meus princípios, mas o meu problema encontra-se precisamente aí: pensar demais...explicar demais...
Vejo uma pessoa a correr..."okey, o metro já tá ali, vou correr". Desço as escadas apressadamente e corro para a porta que está prestes a fechar-se...
Entrei, a porta fechou-se.
Enquanto me sentava, decidi não pensar em mais nada pois um dia irei descobrir uma forma de bloquear a mente!
Um dia...
"Entre as lembranças que tenho,
Eis o que mais me entristece:
Quando acerto ninguém se lembra,
Quando erro, ninguém se esquece."